» » A herança do racismo Meio século após a morte de Martin Luther King, o mundo ainda vive mergulhado em discursos de ódio contra a população negra

SÍMBOLO Martin Luther King durante a marcha de Washington, episódio em que fez discurso histórico (Crédito: Divulgação)
Em 1963, o pastor afro-americano Martin Luther King fez um discurso histórico contra o racismo na Marcha de Washington. “Eu tenho um sonho”, disse ele. Ganhador do Nobel da Paz de 1964, o líder político foi assassinado em 4 de abril de 1968. Meio século após sua morte, o sonho de Luther King ainda se mantém, assim como o ódio que ele combateu. Provas disso são os discursos de supremacistas brancos nos Estados Unidos e na Europa, carregados de xenofobia e preconceitos raciais.
“É evidente que houve evolução no que diz respeito aos direitos civis de forma que a população negra pudesse alcançar espaços de poder que antes eram inalcançáveis. Mas isso ficou muito longe de representar uma superação do racismo”, diz o professor Tiago Vinícius dos Santos, doutor em direitos humanos pela Universidade de São Paulo (USP). Ele cita como exemplo a eleição de Barack Obama nos Estados Unidos. Ao alcançar o poder máximo no país, o ex-presidente deixou a impressão de que não era mais necessário discutir o racismo. “Há uma tentativa de excluir, de uma vez por todas, o debate racial das políticas públicas”, afirma. Durante a era Obama, os insultos raciais tomaram uma proporção muito maior do que no período pré-direitos civis. A ideia equivocada de que os EUA superaram a discriminação ficou evidente com o fortalecimento de discursos como o de Donald Trump. O confronto entre supremacistas brancos e militantes do movimento negro em Charlottesville, no ano passado, é um exemplo de como o atual presidente dos EUA lida com as questões raciais. Trump em nenhum momento condenou os supremacistas e manteve a ideia de que houve violência das duas partes. “O grande problema é ter na presidência alguém que vai legitimar o lado mais horrível da história, algo que não pode acontecer novamente”, diz Santos.
Os discursos de ódio racial não se limitam aos EUA. Em vários países da Europa, a direita radical avança atacando imigrantes, apontados como vilões durante muitas campanhas eleitorais de partidos nacionalistas, que acusam os estrangeiros de tirar empregos das populações locais. O fenômeno das fake news está diretamente ligado a isso. Nos tempos atuais, a pregação racista só mudou de plataforma, passando da televisão para a internet. É o que afirma Virgilio Pedri Rigonatti no recém-lançado “Cravo Vermelho”, livro que narra os acontecimentos que marcaram os anos 1960. Ele lembra, por exemplo, de ver na TV as marchas lideradas por Luther King e de, ao mesmo tempo, acompanhar a Ku Klux Klan no noticiário. “O assassinato foi um balde de água fria nos jovens”, diz o escritor.

“Uma figura emblemática que ultrapassa os limites dos Estados Unidos.” É assim que o pró-reitor de assuntos comunitários da UFABC Acácio Almeida, doutor em sociologia pela USP, define Luther King. Para o especialista, desde o surgimento do líder americano, o racismo foi mudando de face ao longo dos anos. “O racismo é a última fronteira do ódio e, de tempos em tempos, ele aparece mostrando sua fúria”, afirma Almeida, citando a tentativa de Israel de expulsar imigrantes africanos, em março. As investidas contra os imigrantes só acabaram com a intervenção da Organização das Nações Unidas (ONU), na semana passada. Então não aprendemos nada com a história? Segundo o professor Almeida é importante considerar que o racismo é estruturante na sociedade brasileira e no mundo. E que, para resolver essa questão, é fundamental, primeiro, reconhecer que ela existe.
Mulher de luta
Winnie Mandela (1936-2018)


Um dos pilares da luta contra o apartheid na África do Sul, Winnie Madikizela-Mandela morreu aos 81 anos, na segunda-feira 2. Em uma trajetória conturbada, ela foi presa, torturada, e esteve ao lado de Nelson Mandela por mais de 20 anos, em uma parceria fundamental para a interlocução dele com a população fora da cadeia. Estava ao seu lado de punho cerrado, no momento da libertação. “As produções teóricas da Winnie são muito importantes para a gente conseguir pensar o lugar da mulher negra na modernidade”, afirma Jaque Conceição, mestre em educação, história, política e sociedade pela PUC-SP.


FONTE: ISTOÉ

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