Um estudo anual da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgada nesta terça-feira (10) mostra que o Brasil investe 4,2% do Produto Interno Bruto (PIB) na área de educação, do ensino fundamental ao médio e técnico.
O percentual está acima da média dos países da OCDE (3,2%), mas o investimento proporcional por aluno é inferior à média dos países desenvolvidos. Os dados são do estudo Education at a Glance ("Educação em revista", na tradução livre do inglês).
Investimento por aluno
US$ 3.800 por estudante do ensino fundamental 1 (média OCDE: US$ 8.600)
US$ 3.700 por estudante do ensino fundamental 2 (média OCDE: US$ 10.200)
US$ 4.100 por estudante do ensino médio e técnico (média OCDE US$ 10.000)
Divulgado anualmente, o documento de 2019 analisa os sistema de educação de países membros da OCDE, além de dez países parceiros, como o Brasil, a Argentina, a China, a Rússia e a África do Sul, entre outros.
Os dados sobre investimento que constam no relatório divulgado nesta terça-feira se referem ao ano de 2016, quando o Brasil atingiu a porcentagem de 4,2% do PIB investido na educação básica.
Equidade
O estudo ainda mostra que as mulheres brasileiras entre 25 e 64 têm maior probabilidade (34%) de se matricular em um curso superior do que os homens, uma das diferenças entre gêneros mais destacadas entre os países membros da OCDE e parceiros. Essa separação aumenta ainda mais em gerações mais novas, entre 25 e 34 anos, a probabilidade de uma mulher cursar o ensino superior chega a 42%.
As mulheres também são maioria em doutorados. No Brasil, 54% das formadas são doutoras, a média da OCDE é 47%. A OCDE aponta, entretanto, que mulheres têm menos chance de ser empregadas do que os homens em qualquer nível de escolaridade, mas ressalta que a diferença se amplifica em níveis mais baixos de educação.
Baixos salários
O estudo aponta que o salário médio dos professores no Brasil é menor do que na maioria dos países da OCDE, e que também é ao menos 13% menor do que o salário médio dos trabalhadores brasileiros com ensino superior.
Professores de ensino fundamental ganham US$ 22.500 anuais (média OCDE US$ 36.200)
Professores de ensino médio ganham US$ 23.900 (média OCDE US$ 45.800)
Nem-nem
Mais de 25% dos jovens entre 18 e 24 anos do Brasil, Colômbia, Costa Rica, Itália, África do Sul e Turquia não estudam e nem estão empregados, são considerados "nem-nem". A média de jovens nesta situação em países da OCDE é de 14%.
Ensino superior
Apenas um terço (33%) dos estudantes de ensino superior concluem a graduação no tempo ideal. A média da OCDE é 39%. O estudo diz que 50% dos estudantes tendem a concluir a graduação após três anos do período ideal. Abaixo da média da OCDE, de 67%.
Quase 3/4 dos estudantes de ensino superior brasileiro estão matriculados em entidades privadas, um contraste com outros níveis de ensino.
Gastos públicos com ensino superior aumentaram 19% entre 2010 e 2016. Entretanto, gastos por estudantes de instituições públicas esteve abaixo da média em 2016, com US$ 14.200,10 em comparação com a média da OCDE de US$ 16.100.
O ensino superior brasileiro é um dos menos internacionalizados dos países da OCDE e parceiros. Apenas 0,2% dos estudantes brasileiros são intercambistas. A média lá fora é de 6% dos estudantes em mobilidade. 0,6% dos estudantes brasileiros estão matriculados no exterior, menos da metade da OCDE (1,6%).

Fonte: G1