Matéria foi paga, segundo denúncia, pelo regime comunista.

Folha de SP, Xi Jinping e médica chinesa. (Reprodução / Montagem)

Denunciada nas redes sociais, a publicação de um “informe publicitário” na edição impressa do jornal Folha de São Paulo chamando a China de “referência no combate à Covid-19” evidencia como a guerra de informações é prevalente no país em tempos de coronavírus.

Sabidamente, esse tipo de matéria paga é vista por jornais e revistas como apenas mais uma fonte de renda e os editores não concordam, necessariamente, com o conteúdo produzido por pessoas que não têm ligação com a empresa que as veicula.

A questão, contudo, é mais complexa. Afinal, desde o final do ano passado que o maior grupo de mídia chinês, o China Media Group, está investindo no Brasil. Trata-se de uma ação do braço midiático do Partido Comunista Chinês (PCC).

Na época de preparação para as eleições de 2018, os chineses já tentavam interferir no Brasil de uma maneira “não comercial”. O site do PDT anunciou (aqui), por exemplo, que o PCC apoiaria a candidatura de Ciro Gomes.

Já em meados de 2019, China Media Group, assinou (aqui) contratos de cooperação com os grupos Globo e Bandeirantes para a compra de “espaços editoriais e a produção e compartilhamento de conteúdos de televisão”. O acordo com a Globo inclui, ainda, serviços de internet 5G (aqui).

O capítulo mais recente nessa infiltração do PCC na mídia brasileira é, talvez, o mais gritante.

Chama atenção que a propaganda publicada na edição impressa do jornal paulista do dia 29 de abril, está na íntegra (aqui) no site da Xinhua, agência de notícias oficial do governo chinês.

A @folha publicou hoje um artigo patrocinado para defender o governo chinês. Isso mesmo: um Informe Publicitário disfarçado de jornalismo numa das maiores publicações do país, produzido para desinformar o assinante.

Quem pagou?
— Rodrigo da Silva (@rodrigodasilva) April 29, 2020

O texto cita os afagos de Evandro Menezes de Carvalho, coordenador do Núcleo de Estudos Brasil-China da Faculdade de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV), ao regime comunista.

Menezes diz que o país “tem se tornado uma referência e um aliado na luta contra a Covid-19”. Também afirmou que a China “tem mostrado capacidade para tomar medidas rápidas e eficazes”, sem citar as inúmeras denúncias na internet e de diversos líderes mundiais sobre censura a médicos e supressão de informações sobre o coronavírus.

Para o professor da FGV, a China é exemplo na “transparência das informações” e no “processo de tomada de decisão”, como se os cidadãos chineses tivessem escolhas. Uma reportagem da CNN denunciou que o regime tem colocado câmeras de vigilância até dentro das casas forçando a população a fazer quarentena e punindo caso haja desobediência.

O especialista também fez críticas a “líderes ineficientes” que “fazem pouco caso da ciência” e rechaçou a “campanha anti-China” realizada, segundo ele, “por políticos importantes dos EUA e Brasil”.

Por fim, acredita que quem critica Pequim tem “discurso obscurantista que é anticientífico, baseado em teorias da conspiração” e que tais governos desejam acobertar “suas falhas na gestão da crise”.

Há constantes denúncias de repressão à liberdade de expressão, religião e imprensa na China e é surpreendente que um jornal brasileiro, mesmo que em matéria paga, exalte um regime contrário à sua existência.

Resta saber até que ponto o controle chinês será imposto no Brasil, já que pelas últimas notícias, o governo não pretende mais financiar a imprensa do país.

E analisar até onde irá o corporativismo da mídia brasileira em evitar citar ou criticar os “amigos do PCC” por aceitar defender e elogiar uma ditadura em troca de uns dólares.

Post a Comment

Postagem Anterior Próxima Postagem