Em indireta, documento diz que militares não contam com "apadrinhamento"

Ministro Celso de Mello foi alvo de manifesto de militares Foto: STF/Carlos Moura

Um grupo de militares publicou um duro manifesto contra o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF). A carta, cuja iniciativa partiu de dois coronéis da Força Aérea Brasileira (FAB), surge no momento em que a credibilidade do STF é questionada e após a liminar do ministro Luiz Fux, que diz que as Forças Armadas não podem exercer Poder Moderador.

O documento ainda é uma resposta à declaração de Celso de Mello sobre ordenar que generais do Planalto prestassem depoimento nem que fossem “debaixo de vara”. Mello se referia às oitivas sobre o inquérito que apura uma suposta interferência política do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal.

– Ninguém ingressa nas Forças Armadas por apadrinhamento. Nenhum militar galga todos os postos da carreira, porque fez uso de um palavreado enfadonho, supérfluo, verboso, ardiloso, como um bolodório de doutor de faculdade – diz o início do manifesto.

A carta aberta segue e diz que militares sacrificam a própria vida pelo povo, se necessário. Em outro trecho, mostra que a carreira militar é fruto de reconhecimento.

– Nenhum militar tergiversa, nem se omite, nem atinge o generalato e, nele, o posto mais elevado, se não merecer o reconhecimento dos seus chefes, o respeito dos seus pares e a admiração dos seus subordinados – afirmam.

O grupo encerra o documento fazendo referência à deputada federal Bia Kicis, que chamou Mello de “juiz de m****”.

– E, principalmente, nenhum militar, quando lhe é exigido decidir matéria relevante, o faz de tal modo que mereça ser chamado, por quem o indicou, de general de m**** – finaliza o documento.

Leia o manifesto na íntegra:

Ninguém ingressa nas Forças Armadas por apadrinhamento.

Nenhum militar galga todos os postos da carreira, porque fez uso de um palavreado enfadonho, supérfluo, verboso, ardiloso, como um bolodório de doutor de faculdade.

Nenhum militar recorre à subjetividade, ao enunciar ao subordinado a missão que lhe cabe executar, se necessário for, com o sacrifício da própria vida.

Nenhum militar deixa de fazer do seu corpo uma trincheira em defesa da Pátria e da Bandeira.

Nenhum militar é comissionado para cumprir missão importante, se não estiver preparado para levá-la a bom termo.

Nenhum militar tergiversa, nem se omite, nem atinge o generalato e, nele, o posto mais elevado, se não merecer o reconhecimento dos seus chefes, o respeito dos seus pares e a admiração dos seus subordinados.

E, principalmente, nenhum militar, quando lhe é exigido decidir matéria relevante, o faz de tal modo que mereça ser chamado, por quem o indicou, de general de m****.

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