Justiça mantém condenação de PMs por morte e desaparecimento de adolescente em Maceió

  • 23/09/2026
(Foto: Reprodução)
Caso Davi da Silva: três policiais e uma ex-PM são condenados pela morte de adolescente O Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ-AL) manteve, nesta quarta-feira (23), a condenação de três policiais militares e uma ex-policial pela morte, tortura e ocultação do cadáver de Davi da Silva. 📱Participe do canal do g1 Alagoas Davi tinha 17 anos quando desapareceu após uma abordagem policial no Benedito Bentes, em Maceió, em agosto de 2014. O julgamento analisou um recurso apresentado pelas defesas dos condenados. Segundo o TJ-AL, a decisão foi unânime. Os desembargadores negaram provimento à apelação e mantiveram a condenação determinada pelo Tribunal do Júri. Também foi mantida a condenação dos réus pela tortura de Raniel Victor, que tinha 19 anos e estava com Davi no momento da abordagem. Os quatro haviam sido condenados por cárcere privado, sequestro, ocultação de cadáver, homicídio qualificado e tortura. Somadas, as penas ultrapassam 100 anos de prisão. Três policiais e uma ex-policial são condenados pela morte de Davi da Silva, após abordagem policial no Benedito Bentes, em Maceió Divulgação/MP-AL Foram condenados: Eudecir Gomes de Lima: 28 anos, 1 mês e 3 dias de reclusão; Carlos Eduardo Ferreira dos Santos: 24 anos, 4 meses e 13 dias de reclusão; Nayara Silva de Andrade: 24 anos, 4 meses e 13 dias de reclusão; Victor Rafael Martins da Silva: 23 anos, 4 meses e 24 dias de reclusão. As penas devem ser cumpridas inicialmente em regime fechado. Eudecir, Carlos Eduardo e Victor Rafael também perderam os cargos de policiais militares. Nayara, que exercia o cargo de auditora do Tribunal de Contas do Estado (TCE), perdeu a função e ficou impedida de exercer cargo público. LEIA TAMBÉM: Mãe procura adolescente que sumiu após abordagem policial em Maceió Davi foi sequestrado, torturado e morto por PMs, conclui investigação Juiz concede proteção a jovem que viu Davi ser levado por PMs em AL Principal testemunha do caso Davi da Silva é assassinada em Maceió Desaparecimento Davi da Silva desapareceu em 2014 durante abordagem da PM no Benedito Bentes, em Maceió Arquivo pessoal Davi desapareceu em 25 de agosto de 2014, depois de ser abordado por policiais no Benedito Bentes. O corpo do adolescente nunca foi encontrado. Durante o julgamento no Tribunal do Júri, o pai de Davi, Cícero Lourenço da Silva, acompanhou os dois dias de sessão e chegou a passar mal. Após a condenação, ele disse que ficou satisfeito com a decisão, mas lamentou não ter conseguido localizar o corpo do filho. “Por uma parte eu estou bem, porque estou feliz [com a decisão]. Mas tem uma parte que está ruim porque eu não sei onde é que está [o corpo do] meu filho. Eu quero ver, nem que seja, um fio de cabelo do meu filho para eu enterrar junto da minha esposa, a mamãe dele”, afirmou na ocasião. À espera de um julgamento Maria José mostra cartaz feito por viznhos para procurar Davi da Silva Waldson Costa/G1 A mãe de Davi da Silva, Maria José da Silva, foi uma das pessoas que mais buscou pelo corpo do filho. Durante 11 anos ela visitou órgãos públicos e realizou mobilizações para buscar justiça e para pedir que o caso não fosse esquecido. Em novembro de 2014, quase dois meses após o desaparecimento de Davi, Maria José foi vítima de um atentado enquanto estava em um ponto de ônibus, próximo ao Mercado da Produção, no bairro da Levada. Aminab da Silva, de 34 anos, fugiu do local, mas acabou preso em seguida. A busca de Maria José só terminou em 12 de dezembro de 2025, quando ela morreu aos 68 anos. Ela não pode ver o julgamento dos réus acusados de matar o filho dela. A irmã de Davi da Silva, Ana Paula, acredita que a mãe viveu angustiada. “O que mais me marcou e me marca até hoje foi a busca incansavelmente da minha mãe por Justiça. Ela morreu sem sequer ver o desfecho do caso e isso me deixa muito triste. Como toda mãe, ela ainda tinha esperança de que ele estivesse vivo. Eles [os policiais] ocultaram [o corpo] e nem deram o direito dela, pelo menos, de fazer um enterro digno para o filho”, lamentou Ana Paula, irmã de Davi da Silva.

FONTE: https://g1.globo.com/al/alagoas/noticia/2026/09/23/justica-mantem-condenacao-de-pms-por-morte-e-desaparecimento-de-adolescente-em-maceio.ghtml


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